Glamour Brasil

Novo projeto gráfico para a revista feminina que reescreveu o que é ser engajada com bom-humor no Brasil.

Edições Globo Condé Nast

Direção de Arte Editorial

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Minha função: Editora de Arte. Direção de Arte Global Condé Nast: Fiona Hayes. Direção de redação: Paula Merlo (2017) e Mônica Salgado (2014 a 2016). Direção de moda: Adriana Bechara e Rita Lazzarotti. Direção de arte do grupo (Vogue, Glamour, GQ, Casa Vogue): Clayton Carneiro (2017 a 2018)

Quando entrei na redação em setembro de 2014, a Glamour Brasil tinha dois anos no país e uma identidade construída para outra mulher. A revista havia sido lançada em formato pocket, com tom "leve e cheio de energia", para uma leitora descrita como "de bom humor, sem nariz em pé". Eu entrei na redação da revista como Editora de Arte, cargo que, dentro da estrutura de redação da época, era quem dirigia a arte do título. Naqueles anos, o feminismo virou pauta de capa, as influenciadoras começaram a deslocar o lugar das celebridades, e a linguagem da web invadiu o ritmo do impresso. A pergunta central era: como uma revista que foi desenhada para ser leve sustenta peso sem perder o bom humor?


O novo projeto gráfico não poderia ser um redesign superficial que deixaria as pautas engajadas soltas dentro da revista, nem podia endurecer o tom a ponto de matar a irreverência que era o DNA da marca. Eu li o desafio como um problema de equilíbrio editorial: a revista precisava de uma estrutura que aguentasse, na mesma edição, uma matéria com temas mais sérios e um editorial de moda comercial, sem que nenhum dos dois se descaracterizasse. Cada decisão de tipografia, grid, abertura de matéria e tratamento de imagem virou uma decisão editorial.

A primeira decisão foi a tradução da linguagem da web para o impresso, sem mímica: incorporar a velocidade, os símbolos, a interatividade da rede como referência editorial, sem que a página parecesse um print de tela. Outra decisão foi a tipografia como espinha editorial. Uma família principal capaz de carregar tanto o peso de uma manchete política quanto a leveza de uma chamada de moda. O resultado foi uma revista que continuava parecendo a Glamour, mas que agora cabia o que a Glamour estava se tornando.


O novo projeto gráfico atravessou a fase mais sensível da transformação editorial da revista. A Glamour Brasil consolidou no período a tagline "moda, beleza e lifestyle de bom humor", virou referência de jornalismo feminino que cruza moda com agenda política, e foi a primeira revista feminina do Brasil a colocar uma influenciadora na capa. Foi nesse projeto que aprendi o que sustenta o meu trabalho hoje: cada decisão visual é, antes de tudo, uma estratégia editorial.